Mensagem do sr. Provedor

Recuando ao ano de 1899, precisamente há 110 anos, encontramos documentos, que nos indicam, que em Ribeira de Pena, foi criada a Irmandade de Nossa Senhora do Rosário e Almas, na freguesia do Salvador, com incidência Concelhia, o que configura a existência de uma Santa Casa da Misericórdia.

Existem Livros de Actas da Mesa Administrativa, por sinal bem elaboradas, livros que evidenciam uma contabilidade organizada e os Mesários eram pessoas conceituadas no meio, a maior parte com bons recursos económicos. Os documentos que chegaram ao nosso conhecimento recentemente, dão-nos conta até finais de 1929 da actividade da irmandade, e a partir daí, perde-se o rasto.

Em 5 de Maio do Ano de 1938, Armindo Augusto de Carvalho natural da freguesia do Salvador, senhor de avultado património em Ribeira de Pena e no Brasil, antes do regresso ao Brasil, fez testamento nestes termos: “dos meus bens em Portugal deixo a importância do dinheiro recebido ou a receber do empréstimo feito à Junta de Freguesia do Salvador para dos meus herdeiros o mais competente, de colaboração com as pessoas boas e caridosas do Concelho de Ribeira de Pena, de harmonia com as respectivas Autoridades, fundarem na sede do Concelho uma Instituição nos moldes e garantias das Casas de Misericórdia existentes em Portugal, em homenagem ao grande benemérito Francisco Alves Moimenta”. É estranho, que Armindo Augusto de Carvalho tenha ignorado a Irmandade de Nossa Senhora do Rosário e Almas, quando afinal, tinham passado apenas 9 anos e os dirigentes desta, eram pessoas conceituadas no meio e seus contemporâneos.

Passaram-se então dez anos, mais concretamente em 19 de Junho de 1948, cumpre-se o testamento e o sobrinho mais competente, Carlos Augusto Teixeira de Carvalho, mais onze personalidades, as tais boas e caridosas, fundam a Santa Casa da Misericórdia do Concelho de Ribeira de Pena. Também aqui as dúvidas persistem. A maioria dos signatários da Fundação da Santa Casa da Misericórdia, foram dirigentes da Irmandade de Nossa Senhora do Rosário e Almas.

Pelo que foi possível apurar, o valor do empréstimo à Junta de Freguesia, rondava os setenta mil escudos, valor considerável para a época. Passaram pela Instituição, com desempenho de funções nos Corpos Sociais muitas dezenas de personalidades, com bons recursos económicos.

Passados 30 anos, a Instituição, tinha como património apenas os Estatutos, por sinal desactualizados. Tal como na primeira versão, também esta falhou e as tais personalidades boas e caridosas não fizeram milagres. Hoje, mais concretamente a partir de 2004, a Santa Casa da Misericórdia de Ribeira de Pena, encontra-se devidamente estruturada, impondo-se na comunidade, pela qualidade dos serviços que oferece, no âmbito das repostas sociais e mais recentemente também na área da saúde. Ler mais...

O Provedor
( João José Alves Pereira )